O que aconteceu no Brasil esta semana — e o que muda para brasileiros na Europa
Desde a nossa última atualização, há dez dias, o cenário eleitoral ficou mais tenso, o Banco Central manteve a aposta num crescimento moderado, e saiu o retrato mais recente da violência no país — divulgado ainda ontem. Aqui está o que mudou.
Eleições: as pesquisas começam a divergir
Duas pesquisas divulgadas nos últimos dez dias contam histórias diferentes, e vale a pena conhecer as duas.
A Quaest, divulgada a 15 de julho, manteve Lula na frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, com uma vantagem de 10 a 12 pontos percentuais — a maior distância entre os dois ao longo do ano. A mesma pesquisa mostrou a rejeição a Flávio Bolsonaro subindo para 57%, o patamar mais alto já registado, enquanto a rejeição a Lula ficou em 50%.
Já uma pesquisa da Gerp, divulgada a 22 de julho, mostrou um cenário bem mais apertado: num eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro apareceu com 46% das intenções de voto contra 45% de Lula — um empate técnico dentro da margem de erro. No cenário de primeiro turno, os dois ficaram tecnicamente empatados, com 38% cada.
A diferença entre os dois levantamentos mostra o quanto a corrida ainda está em aberto, e reforça algo que já vínhamos dizendo: com as convenções partidárias a decorrer até 5 de agosto, os próximos dias vão consolidar candidaturas e podem mexer bastante nesses números.
Um esclarecimento útil, já que gera confusão todos os anos: as convenções partidárias que estão a decorrer agora não são, ainda, a campanha eleitoral oficial. Segundo o calendário do TSE, a propaganda eleitoral só tem início a 16 de agosto — é só a partir dessa data que passa a valer, por exemplo, a exibição de propaganda no rádio e na televisão. Até lá, o que vemos são bastidores: escolha de candidaturas, formação de alianças e cumprimento de prazos administrativos, como o de hoje (24/07), que é o prazo final para indicação dos nomes que vão compor as Juntas Eleitorais.
Economia: crescimento mantido, mas dólar em leve alta
O Boletim Macrofiscal de julho manteve a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2,3% para 2026, com uma revisão para cima nas estimativas para a agropecuária. É uma leitura estável, sem sobressaltos.
O dólar, por outro lado, tem mostrado alguma força nas últimas semanas: fechou esta quinta-feira (23/07) cotado a R$ 5,08, depois de ter oscilado entre R$ 5,06 e R$ 5,12 ao longo da semana anterior. Para quem envia dinheiro para família no Brasil, a cotação continua favorável, mas vale acompanhar — o câmbio tem estado mais instável do que nos meses anteriores.
Segurança pública: queda nacional, mas sete estados pioram
Saiu ontem (23/07) o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, um dos relatórios mais aguardados do ano sobre o tema. A boa notícia: as mortes violentas caíram 8,2% no Brasil em 2025. A má notícia: sete estados registaram alta no mesmo período — o relatório não detalha todos publicamente, mas o Amapá segue como o estado mais violento do país, com 42,5 mortes violentas por 100 mil habitantes, ainda que em queda.
O levantamento também mostrou que as dez cidades mais violentas do país estão todas no Nordeste — cinco na Bahia, três no Ceará, uma em Pernambuco e uma na Paraíba — com a disputa entre grupos criminosos pelo controlo do tráfico como principal fator apontado pelos investigadores.
O que isto significa para quem está na Europa
Se tens família em alguma das regiões mais afetadas, vale a pena manter contacto próximo e atualizado — os números nacionais melhoram, mas escondem realidades bem diferentes conforme o estado.
Sobre as eleições: se ainda tinhas dúvidas de que outubro seria disputado, os números desta semana confirmam que sim. Se pretendes votar a partir da Europa, o prazo para regularizar o teu título eleitoral junto ao consulado mais próximo está a ficar mais curto — não deixes para a última semana.
Sobre a economia: o câmbio continua a favorecer quem envia remessas, mas com mais oscilação do que o habitual — se estás a planear uma transferência maior, vale acompanhar a cotação por alguns dias antes de decidir.
Datas para a agenda
As convenções partidárias seguem até 5 de agosto — é quando saberemos, finalmente, quem disputa de facto a eleição de outubro. O primeiro turno é a 4 de outubro, com eventual segundo turno a 25 de outubro.
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Fontes:
- Pesquisa Quaest (O Povo, 15/07/2026): https://www.opovo.com.br/noticias/politica/eleicoes/2026/07/15/pesquisa-quaest-traz-dados-de-lula-e-flavio-bolsonaro-em-julho.html
- Pesquisa Gerp (Poder360, 22/07/2026): https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/flavio-e-lula-tem-empate-tecnico-no-2o-turno-diz-pesquisa/
- Boletim Macrofiscal de julho (Agência Gov): https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202607/boletim-macrofiscal-de-julho-de-2026-mantem-a-projecao-de-crescimento-de-2-3-para-o-ano
- Cotação do dólar (Investing.com): https://br.investing.com/currencies/usd-brl
- 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (Agência Brasil): https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-07/dez-cidades-mais-violentas-do-pais-estao-no-nordeste-aponta-estudo
- Mapa da violência por estado (Gazeta Brasil): https://gazetabrasil.com.br/brasil/2026/07/23/o-mapa-da-violencia-em-2026-veja-qual-e-a-posicao-do-seu-estado-no-novo-ranking-nacional/
