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“Fotógrafo brasileiro em Paris conta o que ninguém te diz antes de largar tudo e tentar viver de arte na Europa”

Pablo chegou a Paris com uma câmera e uma decisão: construir uma carreira criativa num dos mercados mais competitivos do mundo. Hoje fotografa clientes de vários países, faz ensaios para brasileiros que realizam o sonho de visitar a cidade — e fala com honestidade sobre o que ninguém conta antes de você largar tudo e vir para a Europa. Nesta entrevista ao Portal VIB, ele não vende ilusão: vende experiência.


Pablo, você é fotógrafo profissional em Paris. Como um fotógrafo ou profissional criativo brasileiro pode trabalhar legalmente na França ou na Europa?

Sendo brasileiro, é possível trabalhar legalmente na França seja tendo um Titre de Séjour, ou, para quem possui dupla nacionalidade, podendo solicitar a abertura de uma empresa ou até mesmo trabalhar para outras empresas como funcionário.


É possível viver de fotografia sendo imigrante em Paris? Quais são os primeiros passos para construir uma clientela?

É possível, mas não é fácil — e também não se ganha tanto quanto muitas pessoas imaginam. Eu comecei oferecendo fotos para amigos, e a partir daí vieram as indicações. Hoje, com as redes sociais, uma boa divulgação e até mesmo uma publicidade paga podem ajudar muito na construção de uma clientela.


O que os clientes europeus valorizam numa sessão fotográfica que é diferente do que os brasileiros valorizam?

Percebo que, de forma geral, os clientes europeus são mais tímidos em relação à fotografia, mas não acredito que exista uma diferença tão grande. Eles gostam de fotos, mas nós, brasileiros, temos mais o hábito de registrar tudo e também de mostrar mais esses momentos.

Os europeus costumam ser mais tranquilos nesse sentido, mas isso não significa que sejam menos exigentes. A diferença está mais na forma de demonstrar. O brasileiro geralmente mostra a empolgação logo de início e não tem tanto receio de expressar suas emoções, enquanto os europeus costumam ser mais reservados nesse primeiro momento.


Você faz ensaios para brasileiros que visitam Paris. Que experiência esses clientes mais buscam e o que torna um ensaio em Paris especial?

Muitos chegam pensando apenas na Torre Eiffel, principalmente aqueles que visitam Paris pela primeira vez, porque ela faz parte de um sonho. Então, é importante valorizar esse momento — ter uma foto com a Torre é, nesse caso, essencial.

Mas a experiência que busco criar vai além de registrar um ponto turístico. Eles são o foco, a peça principal da minha fotografia, e Paris é o cenário. E esse cenário pode ser um prédio haussmanniano, uma ponte, uma rua charmosa, um café especial ou até mesmo o recorte de uma janela. São detalhes que fazem as pessoas reconhecerem Paris mesmo sem nunca terem estado aqui.

Algo que também acho muito especial é que, para muitos, esse é o primeiro ensaio fotográfico da vida. Não é apenas sobre fazer fotos, mas sobre criar uma conexão. Tenho buscado levar meus clientes para algo além de um ensaio fotográfico: um encontro deles com eles mesmos, numa cidade que muitas vezes representa um sonho.


Qual é o erro mais comum de criativos brasileiros que chegam à Europa achando que o talento é suficiente para ter sucesso?

Acredito que o talento seja apenas uma parte da equação. Para quem pensa em trabalhar na Europa, a preparação faz toda a diferença: conhecer o mercado, entender a cultura local, aprender o idioma e ter um planejamento financeiro são passos muito importantes.

Também é preciso entender que a Europa não é um único lugar. São vários países próximos geograficamente, mas com línguas e culturas diferentes. Às vezes, pode não dar certo em um lugar, mas isso não significa que o caminho acabou. E é importante estar preparado para tomar uma decisão rápida caso não dê certo — e ter a coragem de voltar e recomeçar.

A Europa não é necessariamente o lugar ideal para quem busca enriquecer rapidamente. Por outro lado, oferece uma excelente qualidade de vida, segurança e oportunidades para construir uma carreira sólida no longo prazo. O talento abre portas, mas é a preparação e a capacidade de adaptação que ajudam a mantê-las abertas.


Que conselho você daria a um fotógrafo ou designer brasileiro que quer trabalhar na Europa e não sabe por onde começar?

Antes de pensar em mudar de país, invista em conhecer o mercado onde pretende atuar. Estude o estilo visual predominante, organize seu portfólio, aprenda o idioma e esteja disposto a recomeçar. Trabalhar na Europa pode ser uma excelente oportunidade, mas exige planejamento, persistência e abertura para aprender uma nova forma de fazer negócios — pois é lento.


Uma mensagem especial para os leitores do Portal VIB espalhados pelo mundo.

Morar fora do Brasil é uma experiência enriquecedora, mas também cheia de desafios. Para algumas pessoas, a adaptação acontece rapidamente; para muitas outras, ela é mais lenta e exige paciência. Quanto mais buscamos entender o lugar onde vivemos e nos adaptar a essa nova realidade, mais vamos encontrando o nosso caminho.

Se existe o desejo de mudar de país, de cidade ou até mesmo de estado, por que não tentar? Nem tudo acontece como imaginamos, e isso também faz parte da jornada. Eu, particularmente, prefiro me arrepender daquilo que tentei do que passar a vida me perguntando como teria sido se nunca tivesse dado esse passo.

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