Ela construiu um império na Bahia — e tem um recado direto para a mulher brasileira que quer crescer na Europa
Rosemma Maluf não pediu licença. Entrou no mundo dos negócios ainda jovem, abriu uma indústria sozinha aos 25 anos, inaugurou um shopping center inovador e foi a primeira mulher a ser Secretária da Ordem Pública de Salvador. Hoje, é fundadora da câmara feminina de uma das maiores confederações do comércio do Brasil — e o que ela tem a dizer vai direto ao ponto.
Se você é brasileira na Europa e ainda está esperando a hora certa para dar o próximo passo — Rosemma Maluf diria que essa hora já passou.
Com mais de 35 anos de trajetória empreendedora, a empresária baiana construiu seu caminho sem esperar por espaço. Ela foi buscar. E não parou mais.
Tudo começou ainda criança, acompanhando o pai nos negócios da família. Em 1988, com espírito empreendedor no sangue, abriu sua própria pequena indústria de confecções. Poucos anos depois, em 1997, junto com o pai e a irmã, inaugurou o Bahia Outlet Center — um modelo inovador de shopping para a época, instalado nos antigos galpões de uma fábrica de chocolates na Península de Itapagipe, em Salvador.
O que parecia aposta virou referência.
Da Bahia com um recado que chega até a Europa
Rosemma não ficou parada atrás de uma mesa. Em 2013, aceitou um desafio completamente diferente: foi convidada pelo então prefeito ACM Neto para integrar sua equipe, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Secretária da Ordem Pública de Salvador. Ficou até 2016.
Voltou para o mundo empresarial com ainda mais força. Hoje, é vice-presidente da Associação Comercial da Bahia e fundadora da Câmara Brasileira das Mulheres Empreendedoras do Comércio, ligada à Confederação Nacional do Comércio (CNC). Uma liderança que fala para o Brasil — mas cuja mensagem ressoa diretamente para as milhares de brasileiras que estão construindo sua vida na Europa.
E ela usa essa voz.
O recado para você que quer crescer na Europa
Rosemma é direta: não existe uma fórmula mágica, mas existe um tripé sem o qual nada funciona.
“Educação, independência financeira e políticas públicas formam o tripé para a mulher avançar na conquista de direitos e de espaços de poder na sociedade”, ela defende.
Para quem está fora do Brasil — construindo uma nova vida num país diferente, muitas vezes recomeçando do zero —, esse recado é especialmente pesado. A europeia não vai te dar espaço por favor. Você vai ter que chegar preparada, qualificada e disposta a ocupar.
Ela também não poupa críticas a um sistema que ainda favorece homens: “Pesquisas tendem a confirmar que as mulheres ocupam aproximadamente 21% dos cargos de chefia. Quanto mais alto o cargo, menor a participação de mulheres.”
Mas Rosemma não é pessimista. É estratégica.

Feminista — e sem pedir desculpa por isso
Ela se define, sem hesitar, como “feminista contemporânea de carteirinha”. E explica o que isso significa para ela:
“Ser feminista é lutar pelo direito de escolha das mulheres. É lutar pela oportunidade da mulher ter o poder de escolher o que ela quer ser e como quer viver.”
Não é sobre provar que é igual ao homem. É sobre não precisar pedir permissão para nada.
Para as brasileiras na Europa — que muitas vezes enfrentam dupla pressão: a de ser imigrante e a de ser mulher — esse posicionamento ressoa forte.
O que ela diz que os líderes precisam fazer
Rosemma também cobra do lado empresarial: “Gestores e líderes precisam adotar o sistema meritocrático e se livrar da ideia que um bom líder precisa ser necessariamente um homem.”
A maternidade, segundo ela, ainda é uma barreira real. Mas a mentalidade está mudando — e cabe às mulheres empurrar essa mudança, de dentro das instituições.
“Juntas somos mais fortes”, afirma.
Por que essa história importa para você, aqui na Europa
Rosemma Maluf não construiu seu caminho na Europa. Mas a lição que ela deixa atravessa oceanos.
Seja em Salvador ou em Lisboa, em São Paulo ou em Barcelona: a mulher brasileira que quer crescer vai precisar de preparo, de rede e, sobretudo, de coragem para não esperar convite.
O espaço não vem dado. Ele é conquistado — ou não existe.
E Rosemma, com 35 anos de prova viva disso, já deixou seu recado.
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