Opinião

Você mora na Europa e acha que seu voto não muda nada. Isso é exatamente o que querem que você pense.

Você saiu do Brasil. Construiu vida aqui, paga impostos aqui, dorme aqui. E quando chega outubro, bate aquela sensação: para quê votar se estou tão longe?

Esta é a ideia mais perigosa que existe — e ela é conveniente demais para quem não quer que você apareça.

“O meu voto não faz diferença”

Em 2022, a diferença entre os dois candidatos mais votados foi de pouco mais de dois milhões de votos — numa eleição com mais de 120 milhões de eleitores. Dois milhões. Há estimativas de quatro a cinco milhões de brasileiros espalhados pelo mundo. Se metade deles tivesse votado com mais convicção, o resultado poderia ter sido outro — em qualquer direção.

Eleições no Brasil não são decididas por goleada. São decididas por centenas de milhares de votos em estados específicos, em cidades específicas, por pessoas que acharam que não valia a pena ir.

“Mas eu já não vivo lá”

O real que você converte para pagar a passagem de volta ao Brasil é decidido por quem governa lá. A segurança da sua família, que ainda mora lá, é decidida por quem governa lá. A possibilidade de você voltar um dia — se quiser, se precisar — é decidida por quem governa lá.

Você saiu do Brasil. O Brasil não saiu de você.

“É muito complicado votar no exterior”

É trabalhoso, sim. Mas é um domingo. Você vai ao consulado, apresenta o título, vota. Feito. Já fizemos um guia completo sobre como verificar se o seu título está em ordem — o link está na bio.

Uma última coisa

Existe uma diferença entre achar que a política é decepcionante e decidir que ela não tem nada a ver com você. A primeira é uma opinião válida. A segunda é uma ilusão perigosa — especialmente para quem vive fora e sente os efeitos das decisões brasileiras multiplicados pela distância.

O 1.º turno é em 4 de outubro de 2026. Você ainda tem tempo de garantir que o seu título está em ordem.

Este é um artigo de opinião do Portal VIB.

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