Entrevistas

Ela foi para a Espanha estudar e nunca voltou. Agora tem uma empresa milionária — e explica por que a Espanha pode ser a melhor porta de entrada na Europa hoje

Renata Barbalho cresceu em Pernambuco numa família de funcionários públicos. O plano era seguir o mesmo caminho: fazer um mestrado na Espanha, voltar ao Brasil e assumir o cargo no concurso que havia passado. O mestrado durou um ano — ela pediu para comprimir o prazo justamente para acelerar a volta. Nunca voltou. Hoje é CEO da Espanha Fácil, empresa que já ajudou milhares de brasileiros a construir vida na Espanha, e fala com uma clareza que poucos têm sobre o que está acontecendo na Europa agora.

A virada não foi planejada. Quando começou a organizar a própria mudança para a Espanha, Renata procurou empresas que pudessem ajudar com a burocracia. Não encontrou nenhuma. “Foram milhões de percalços, mas consegui resolver e aprendi demais nessa jornada.” Quando o mestrado terminou, foi contratada por uma multinacional — bom emprego, bem remunerada. Mas os amigos que queriam fazer mestrado ou doutorado na Espanha começavam a procurá-la pela mesma razão: ela dominava o processo. “Comecei a ter muito prazer em ajudá-los nessa parte de documentação. Foi quando eu pensei: eu acho que eu encontrei o meu propósito.” Pediu demissão e fundou a Espanha Fácil.

No início, o lado contadora falou mais alto. Ela estabeleceu um prazo interno: se a empresa não atingisse o ponto de equilíbrio financeiro dentro do tempo calculado, voltaria ao Brasil. “Mais de duas décadas depois, continuo aqui na Espanha e a empresa é um sucesso.” Hoje a Espanha Fácil atua em documentação, educação, imigração, nacionalidade, questões fiscais e serviços imobiliários — o que ela chama de atendimento 360 graus.

O que ela vê com mais frequência nos brasileiros que chegam sem preparo é um erro específico — e não é o que a maioria imagina. “O erro mais caro é não tentar. Mas se eu pudesse elencar uma precaução que faz muita diferença, é estudar para conquistar um bom nível no idioma antes de chegar.” Nos últimos doze meses, a procura por intercâmbio na Espanha Fácil triplicou. Muitos chegam querendo conciliar estudos com as 30 horas de trabalho permitidas por lei — para cobrir os custos da viagem. “Se você conseguir chegar ao país com um nível satisfatório de espanhol, fica mais fácil conquistar uma vaga de emprego logo no início. Você já começa ganhando em euros e isso faz toda a diferença.”

Sobre a Espanha ser “mais fácil” por causa do idioma, Renata corrige o enquadramento. “Independente do país, a questão do idioma não é mais importante que a legislação migratória.” E nesse quesito, ela é direta: “A Espanha é, hoje, a principal porta de entrada para brasileiros que querem morar na Europa.” Os motivos são concretos: diferentes modalidades de visto de acordo com o perfil de cada pessoa — visto de estudos com autorização para trabalhar até 30 horas semanais, Residência Não Lucrativa para quem tem recursos próprios, visto de Nômade Digital para quem trabalha remotamente. E um detalhe que poucos sabem: a cidadania espanhola pode ser solicitada após apenas dois anos de moradia no país.

O momento também é relevante. Enquanto outros países europeus endurecem as regras para imigrantes, a Espanha caminhou na direção oposta. A Regularização Massiva de 2025 abriu caminho para mais de um milhão de pedidos. “Enquanto os países estão fechando as portas, a Espanha está favorecendo a entrada de imigrantes através de políticas públicas”, explica Renata. A razão é estrutural: envelhecimento da população e crescimento vegetativo negativo — o país precisa de gente.

Para quem está lendo agora e ainda não decidiu o próximo passo, a mensagem dela é sem rodeios: “Venha. Busque a sua felicidade, sua autonomia financeira e seu crescimento pessoal e profissional. A Espanha é um país apaixonante — e este pode ser o melhor momento para vir.”

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