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Bélgica paga o 3.º maior salário mínimo da UE — mas Bruxelas come quase tudo

O salário mínimo na Bélgica é de €2.111,89 brutos por mês para uma semana de 38 horas — o terceiro mais alto da União Europeia. No líquido, fica entre €1.600 e €1.750, dependendo da situação fiscal de cada um. Para quem chega do Brasil com esse número na cabeça, parece muito. O problema é o que Bruxelas cobra em troca.

O custo de vida na capital belga ronda os €1.850 por mês para uma pessoa a viver sozinha. Fazendo a conta: quem ganha o salário mínimo líquido em Bruxelas fica no vermelho ou, na melhor das hipóteses, não sobra nada. É por isso que uma parte crescente da comunidade brasileira na Bélgica — hoje estimada em cerca de 49 mil pessoas — está a escolher cidades secundárias em vez da capital.

Em Liège, por exemplo, o custo de vida cai para cerca de €1.200 por mês. A diferença de €650 mensais representa mais de €7.000 por ano — dinheiro que em Bruxelas vai para a renda e em Liège pode virar poupança ou qualidade de vida. O mesmo raciocínio aplica-se a Bruges, Antuérpia e Gante, onde a comunidade brasileira também está a crescer, sobretudo em bairros como o Saint-Gilles em Bruxelas para quem ainda prefere a capital.

Há ainda um detalhe que poucos conhecem: a Bélgica tem um regime fiscal especial para profissionais altamente qualificados recém-chegados ao país, que pode reduzir significativamente a carga tributária nos primeiros anos. Não é acessível a todos, mas para quem se enquadra pode fazer uma diferença real no líquido do salário.

A Bélgica não é o destino mais falado entre brasileiros na Europa, mas os números justificam mais atenção. Salário mínimo competitivo, localização central no continente, e cidades secundárias com custo de vida equilibrado são argumentos concretos para quem está a avaliar opções além de Portugal, Espanha e Alemanha.

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